O presente artigo examina, sob a perspectiva da Educação Matemática, a questão filosófica fundamental acerca da natureza da matemática: trata-se de uma descoberta de verdades eternas ou de uma invenção humana? Para tanto, revisita-se o debate entre as correntes filosóficas do platonismo, do formalismo, do intuicionismo, do logicismo e do quasi-empiricismo, articulando-as com autores clássicos como Pitágoras, Platão e Euclides, bem como com pensadores modernos e contemporâneos, entre eles David Hilbert, Henri Poincaré, Jacques Hadamard, Ludwig Wittgenstein, Roger Penrose e Max Tegmark. A análise aponta que a dicotomia entre descoberta e invenção não é excludente; ao contrário, a matemática habita um espaço intermediário no qual estruturas são criadas pelo intelecto humano, mas revelam propriedades que transcendem o próprio ato criador. Discutem-se, ainda, as implicações pedagógicas dessa dualidade para o ensino de matemática, argumentando-se que compreender a natureza filosófica da disciplina constitui condição essencial para o desenvolvimento de uma prática docente reflexiva, criativa e humanizadora.
Ladybug et al. (Fri,) studied this question.