Este trabalho foi apresentado na Semana de História da UFJF, em dezembro de 2025.Este artigo analisa a persistência da figura de Ophelia como mito visual e dispositivo simbólico de controle do feminino, desde sua formulação em Hamlet, de William Shakespeare, até sua reapropriação contemporânea no videoclipe The Fate of Ophelia (2025), de Taylor Swift. Argumenta-se que a personagem foi historicamente construída como corpo atravessado pelo medo - da fala, da sexualidade e da autonomia feminina - resultando em seu silenciamento simbólico. No século XIX, a pintura pré-rafaelita, especialmente a obra de John Everett Millais, estetiza o afogamento e consolida Ophelia como ícone da passividade bela. Ao longo do século XX, essa matriz visual se mantém como estrutura de repetição. A releitura contemporânea, contudo, reinscreve Ophelia como sujeito ativo, deslocando o paradigma da passividade para a agência feminina.
Madeira et al. (Fri,) studied this question.