Esta tese examina as dinâmicas de poder entre o colonizador e o colonizado em Coração das Trevas de Joseph Conrad, focando em como o som e o silêncio funcionam dentro do discurso colonial da novela. Baseando-se na teoria pós-colonial, particularmente nas obras de Homi Bhabha, Frantz Fanon e Albert Memmi, este estudo argumenta que o silêncio funciona como uma ferramenta de controle colonial, enquanto o som serve como uma forma sutil de presença através da qual os personagens africanos mantêm sua presença cultural e perturbam a autoridade colonial. O estudo demonstra como a ideologia imperial molda tanto os colonizados quanto os colonizadores e como elementos sonoros, como os tambores, cânticos e rituais africanos, revelam a instabilidade e contradições dentro das dinâmicas de poder colonial. Além disso, a tese explora a posição ambivalente de Marlow dentro do sistema colonial, mostrando como ele reproduz a ideologia imperial enquanto é perturbado pela sua violência. Embora sua narrativa frequentemente reflita a perspectiva colonial, seu reconhecimento gradual da humanidade dos africanos revela as fraturas dentro da hierarquia colonial. Dessa forma, o som se torna um meio que desestabiliza o sistema colonial. Além da análise literária, a tese examina o teatro do fórum como um método pedagógico para ensinar Coração das Trevas no contexto sueco da educação secundária. Ao combinar análise literária pós-colonial com teatro do fórum, o estudo demonstra como os alunos podem se engajar ativa e criticamente com estruturas de poder colonial sem reproduzir a linguagem colonial, enquanto desenvolvem empatia e consciência crítica. Assim, a tese propõe uma abordagem didática interativa para o ensino da literatura colonial que incentiva o engajamento crítico no nível do ensino secundário.
Ülkü Björck (Qua,) estudou esta questão.