A aprendizagem de uma segunda língua (L2) é um processo altamente complexo, influenciado por múltiplos fatores, tanto externos (como a idade de início ou o grau de exposição) quanto internos, entre os quais se destacam as diferenças individuais em habilidades cognitivas. Esta tese examina especificamente o papel da capacidade de processamento da voz, entendida como a competência para identificar e analisar informações acústicas próprias de cada falante, na aquisição de fonemas não nativos. No Estudo 1, realizado com adultos bilíngues nativos em Espanhol (língua nativa) – Catalão (L2), observou-se que a capacidade de processamento da voz prediz de maneira significativa a competência fonológica na L2, segundo modelos de equações estruturais. O Estudo 2 ampliou esses resultados com aprendizes adultos, mostrando que uma maior capacidade de processamento da voz está associada a um melhor desempenho no treinamento fonético de contrastes não nativos, enquanto os participantes com menor capacidade se beneficiaram especialmente da familiaridade com o falante durante o treinamento. Os Estudos 3 e 4, por meio de técnicas de ressonância magnética funcional (fMRI), identificaram as bases neuronais desse fenômeno. A exposição à fala de um falante familiar ativou regiões cerebrais implicadas no processamento da identidade de terceiros e na memória de trabalho verbal, e essa ativação variou segundo a familiaridade linguística.
Gaël Cordero (Mon,) estudou esta questão.