Fatores de risco clínicos tradicionais predizem eventos cardíacos adversos maiores e mortalidade por todas as causas em pacientes com MINOCA?
Em pacientes com MINOCA, apenas fatores de risco tradicionais selecionados predizem desfechos adversos, com BMI mais elevado e dislipidemia paradoxalmente associados a menor mortalidade, destacando a necessidade de modelos de risco específicos para MINOCA.
JUSTIFICATIVA O infarto do miocárdio com artérias coronárias não obstrutivas (MINOCA) é uma condição heterogênea com desfechos variáveis. O valor prognóstico de fatores de risco clínicos comuns para eventos cardíacos adversos maiores (MACEs) e mortalidade por todas as causas permanece incerto. Este estudo avalia sistematicamente as associações entre fatores de risco tradicionais e desfechos adversos em MINOCA. MÉTODOS Uma revisão sistemática e metanálise foi realizada para avaliar as razões de risco (HRs) combinadas para variáveis clínicas associadas a MACEs e mortalidade por todas as causas. Foram incluídos estudos elegíveis que relataram HRs com pelo menos 6 months de seguimento. Modelos de efeitos aleatórios foram utilizados para derivar estimativas combinadas. RESULTADOS Onze estudos, incluindo 12.081 pacientes, foram analisados. Ao longo de um seguimento médio de 49.2 months, a incidência combinada de MACEs foi de 17% (95% CI: 11-26%) e a mortalidade por todas as causas foi de 10% (95% CI: 8-14%). A idade mais avançada aumentou o risco de MACEs (HR: 1.02; 95% CI: 1.01-1.04), enquanto um BMI mais elevado foi protetor (HR: 0.92; 95% CI: 0.86-0.99). Para a mortalidade por todas as causas, os preditores significativos incluíram idade (HR: 1.04 por ano), diabetes (HR: 1.33; 95% CI: 1.07-1.64), creatinina (HR: 1.01; 95% CI: 1.0009-1.02) e apresentação com padrão de STEMI (HR: 2.85; 95% CI: 1.09-7.44). Maior BMI (HR: 0.89; 95% CI: 0.82-0.98) e dislipidemia (HR: 0.83; 95% CI: 0.76-0.90) foram associados a menor mortalidade. CONCLUSÃO Apenas variáveis clínicas selecionadas predizem desfechos em MINOCA, enquanto muitos fatores de risco tradicionais de infarto do miocárdio não o fazem. Esses achados destacam a necessidade de modelos de risco específicos para MINOCA e estratégias de manejo direcionadas.
Chiotis et al. (Fri,) estudaram essa questão.
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