Resumo Este artigo investiga uma questão que precede a maioria das teorias de estrutura e evolução: por que é possível que algo exista persistentemente? Em vez de perguntar como estruturas particulares se formam ou se adaptam, o artigo analisa as condições nas quais qualquer substrato pode manter-se contra perturbações externas e questiona se um padrão comum pode ser identificado entre substratos que diferem em suas propriedades físicas, químicas, biológicas e informacionais. O artigo procede em duas partes. A primeira é observacional. Substratos observáveis — átomos, moléculas, sistemas catalíticos, moléculas autocatalíticas, moléculas similares ao RNA, compartimentos de membrana e protocélulas — são organizados de acordo com as relações de inclusão entre seus componentes constituintes, com cada substrato posterior pressuponto a existência dos precedentes. Ao longo dessa sequência, cinco tendências são consistentemente observadas: (1) o domínio interno de estabilização de cada substrato se expande, (2) a robustez física diminui, (3) mecanismos compensatórios (reparo, regeneração, redundância) tornam-se mais evidentes, (4) as condições necessárias para manter cada estado tornam-se mais complexas, e (5) os intervalos entre o surgimento de novos substratos encurtam-se. Essas tendências são denominadas gradiente de estabilização. Notavelmente, o gradiente é observado independentemente do tipo de substrato envolvido, sugerindo que ele pode refletir uma propriedade mais fundamental do que qualquer domínio físico ou biológico particular. A segunda parte é interpretativa e explicitamente marcada como hipotética. O artigo propõe uma hipótese sob a qual o gradiente de estabilização pode ser entendido não como uma propriedade de um substrato individual, mas como consequência de uma propriedade seletiva inerente ao próprio universo: aquilo que não pode persistir é eliminado. Sob essa hipótese, o fato de um substrato ser observável hoje já implica que ele sobreviveu a todas as perturbações capazes de ocorrer em escalas temporais cosmológicas. A observabilidade pode, portanto, ser reinterpretada como uma operação seletiva em vez de um ato neutro de medição. Dessa perspectiva, substratos e campos de força podem ser compreendidos como diferentes implementações de fase do mesmo imperativo subjacente de persistência: os substratos implementam a persistência como resistência do espaço de estados à perturbação, enquanto campos de força e interações contínuas a implementam como processo ininterrupto. Partículas elementares, que inicialmente parecem escapar ao quadro por não admitirem distinção interna/externa, são reposicionadas nessa hipótese como caso limite em que o domínio de estabilização foi tão compactado que apenas a consistência comportamental sob perturbação permanece observável. O artigo não reivindica falseabilidade para as seções interpretativas, marcando-as explicitamente como hipotéticas ao longo de todo o texto. Seu objetivo é oferecer um vocabulário não teleológico em que a persistência da estrutura possa ser tratada como o principal objeto de explicação, além de fornecer a base ontológica sobre a qual teorias subsequentes no arcabouço da Teoria da Seleção de Persistência são construídas. Palavras-chave: emergência baseada em seleção, teoria de sistemas não teleológica, gradiente de estabilização, imperativo de persistência, seleção cosmológica, condições de existência, estruturas em múltiplas camadas, evolubilidade, cibernética
Adrian Vaernes (qua) estudou essa questão.